MINERAIS E INSUMOS PARA A INDUSTRIA CERÂMICA

A indústria cerâmica brasileira ocupa posição de destaque no cenário internacional, colocando o Brasil entre os principais produtores mundiais de cerâmicas tradicionais (blocos, telhas, revestimentos, louça sanitária, isoladores elétricos, louça de mesa, refratários, etc.). Em consequência do volume de produção expressivo, o setor cerâmico se destaca como consumidor destacado de minerais industriais, produtos químicos e recursos energéticos.

Dentre os minerais consumidos em maior volume pela indústria cerâmica, estão as argilas de queima vermelha e branca, os argilitos, os caulins, os feldspatos, granitos e quartzos, os filitos, os carbonatos e os talcos.  Em menor volume, também são utilizadas bentonitas, pirofilitas, nefelinas, zirconitas, boratos e outros produtos, como óxido de zinco, carbonato de bário, aluminas calcinadas, pigmentos, dispersantes e ligantes de naturezas diversas. Do ponto de vista energético, o setor cerâmico se caracteriza pela elevada utilização de energia térmica, com destaque para o uso de gás natural como combustível, visto que praticamente todos os processos de fabricação de materiais cerâmicos envolvem tratamentos térmicos em altas temperaturas.

A avaliação do potencial de minerais para a indústria cerâmica é uma atividade que deve ser realizada com cautela, visto que cada segmento do setor cerâmico possui um conjunto de análises com critérios específicos que permite avaliar a viabilidade de aplicação dos minerais e demais insumos. Nesse sentido, as características das argilas de maior interesse para aplicação em massas para revestimentos cerâmicos (e os testes necessários para atestar seu potencial) não são as mesmas das argilas mais valorizadas para aplicação em massas de sanitários ou para uso em engobes, por exemplo.

As análises realizadas devem explorar a potencialidade das matérias-primas, tendo em vista que muitas vezes minerais de grande potencial são descartados porque os testes realizados não são bem planejados ou executados. A experiência comprova que a avaliação precisa do potencial  de uma matéria-prima para o setor cerâmico deve ser estudada caso a caso. Para certas  aplicações, a caracterização físico-química (análises químicas, mineralógicas, de tamanhos de partículas, de área superficial específica, etc.) é essencial. Em outros casos, a caracterização de corpos de prova conformados com a amostra é mais importante. E muitas vezes estas duas estratégias precisam ser combinadas com testes de aplicação em composições cerâmicas, envolvendo até reformulações das composições para explorar melhor o potencial da matéria-prima testada. O uso da metodologia mais adequada, em laboratórios bem equipados e com pessoal treinado é essencial para que os recursos minerais  sejam valorizados e possam oferecer benefícios à indústria cerâmica.