A Pandemia de Covid-19 e a Industria Cerâmica

Vivemos uma crise sanitária sem precedentes para a nossa geração. Atrelada a ela, ao que tudo indica, está em curso, e deve se prolongar por algum tempo, uma crise econômica que tem potencial para impactar de forma muito dura a nossa sociedade, gerando empobrecimento e dificuldade para todos.

Como profissionais ligados a indústria cerâmica, estamos diretamente envolvidos nesse cenário. O que nos compete, nesse momento difícil, é buscar informações de qualidade, devidamente contextualizadas; e trabalhar muito em planejamento.

Informações estão circulando por nossas redes de contato aos montes. Elas devem ser usadas como pedra fundamental para as atividades de planejamento. Dessa forma, a primeira premissa é usar informações que sejam confiáveis; e a segunda é que elas estejam contextualizadas. Além disso, precisamos estar muito atentos à velocidade com que as coisas estão mudando nesses dias, pois o que sabemos hoje pode deixar de estar atualizado amanhã. Nesse sentido, compartilho algumas informações importantes do nosso setor, válidas e contextualizadas para este 17/04, quando escrevo esse texto:

  • O Brasil opera com aproximadamente 10% da sua capacidade produtiva de pisos e revestimentos cerâmicos;
  • Ao que consta, no principal pólo do país (Santa Gertrudes e região), temos 103 fornos ativos, dos quais apenas 9 estão em operação nesse momento;
  • Os fornos foram desligados pelas questões sanitárias envolvendo a pandemia de Covid-19, mas também porque o mercado desaqueceu de forma abrupta nas últimas semanas. Em média, as empresas relatam carregamento de produtos da ordem de 30% do que se costumava carregar antes da pandemia;
  • Nos principais países do mundo, onde há produção expressiva de revestimentos cerâmicos, as fábricas interromperam suas atividades ao longo do mês de março, motivadas, na maior parte dos casos, por decretos governamentais. Isso ocorreu, para citar alguns exemplos, na Itália, na Espanha e nos nossos vizinhos na América do Sul;
  • Em praticamente todos os principais produtores de cerâmica do mundo ocidental, as fábricas seguem paradas e monitoram a situação sanitária para retomar a produção;
  • A Espanha é uma exceção, pois a produção foi retomada no dia 13/04. Isso decorre da política governamental do país e do fato de que a pandemia, embora tenha gerado muitas mortes nesse país, já se encontra na fase decrescente da curva de contágio;
  • A Itália, ao que tudo indica, deve seguir o mesmo caminho e está preparando a retomada das empresas para os próximos dias. As províncias do país possuem autonomia para decidir o momento de reiniciar as atividades, mas provavelmente a retomada deve ocorrer a partir de 03/05, data estipulada por decreto governamental.

Em termos de planejamento, cada empresa deve identificar o momento mais adequado para reiniciar suas atividades e com que capacidade de produção a retomada deve ocorrer. Essa decisão é muito particular de cada organização, mas deve levar em consideração uma série de fatores, como decretos governamentais, taxas de recessão medidas e prevista para o país, indicadores do setor de construção civil, etc.

Além disso, esse é o momento de planejar de que forma as atividades devem ser retomadas, no que diz respeito aos protocolos de saúde e segurança. É ilusão acreditar que a atividade econômica só será retomada quando a pandemia estiver totalmente afastada da sociedade. Mas é ilusão, igualmente preocupante, crer que a atividade econômica retornará mediante os mesmos protocolos de segurança e relações de trabalho usualmente adotadas antes da pandemia. Nesse sentido, há muita informação relevante disponível em outros segmentos industriais que já estão operando (ou que não puderam parar porque são atividades essenciais) e em outros países. Essas informações devem ser utilizadas para que as indústrias cerâmicas façam seus planejamentos para a retomada das atividades.

Uso de máscaras e frequência de suas substituições, protocolos de higienização de ambientes, medição da temperatura de funcionários no ingresso às fábricas, aplicação de questionários sobre a saúde dos trabalhadores e de seus familiares, aquisição de testes para avaliar a existência de funcionários infectados, uso de aplicativos de celular que monitoram a distância entre as pessoas na empresa, sistemas de teletrabalho, políticas para a entrada de terceiros na empresa, replanejamento de atividades que envolvem aglomerações, como transporte de funcionários, reuniões, refeitórios, etc. Todas estas medidas estão sendo adotadas com diferentes graus de rigor e sob distintos protocolos em empresas do mundo inteiro. Em meio a tudo isso, é preciso discutir métricas para monitorar a produtividade dos funcionários e das empresas nesse cenário. Como conduzir a operação com a rede de fornecedores e transporte de insumos parcialmente paralisada?

São novos tempos, que nos exigem ainda mais rapidez e assertividade na tomada de decisões. Informação e planejamento se fazem mais importantes do que nunca.